Sobre a superioridade da Literatura sobre a Filosofia
Cansei
de estudar filosofia. Simplesmente cansei. O maior de todos os conhecimentos
não aspira nem à universalidade, nem quer falar de coisas grandes sem deixar de
se remeter também as pequenas. Não cria centros, nem despreza o periférico. Não
cria armadilhas com a linguagem, mas brinca com ela.
Cansei
de todo o castelo de cartas criado pelo mundo dos conceitos. De toda a
fortaleza que nos cria a falsa segurança do conhecimento, o falso domínio que a
tudo objetiva e não é mais capaz de olhar com amor e compaixão para os seres
que desabrocham e fenecem.
Cansei da música tola que se
entoa com todo o arsenal da dialética, que embrutece quando não mais é serviçal
da beleza.
Espero que o súbito me domine,
que a admiração me guie. Não há amor maior do que aquele que simplesmente
divaga sobre o que o seu coração sente valer a pena. Não há homem mais digno de
inveja do que aquele que vive no êxtase de amar e ser amado.
Não há mais durezas, nem
justificativas, nem crenças. Há apenas o amor que se transmuta em tantos símbolos
porque todos eles são como mônadas que resumem o todo do universo. Há mais
verdade em cada canto da criação do que em todos os livros do mundo. Há mais
humildade na Natureza do que em qualquer nobre gesto filosófico.
Cheias de amor devem ser tuas
tardes, cheias de alegria. Quanto tempo esperarás para se deixar vencer pela
beleza?! Entregue-te à mestra das mestras: entregue-te à poesia.
Verdadeira educadora dos homens,
mestra da filosofia, senhora que os poetas louvam por tomar-lhes o peito. Por
ensiná-los o que verdadeiramente é amar. Por ensiná-los a ver o singular e não
o universal.
Cansei da filosofia. Apenas
amante da Beleza quero ser. Não há nada mais maravilhoso do que estar
apaixonado e esquecido de si mesmo.
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