terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sobre a superioridade da Literatura

Sobre a superioridade da Literatura sobre a Filosofia

                Cansei de estudar filosofia. Simplesmente cansei. O maior de todos os conhecimentos não aspira nem à universalidade, nem quer falar de coisas grandes sem deixar de se remeter também as pequenas. Não cria centros, nem despreza o periférico. Não cria armadilhas com a linguagem, mas brinca com ela.
                Cansei de todo o castelo de cartas criado pelo mundo dos conceitos. De toda a fortaleza que nos cria a falsa segurança do conhecimento, o falso domínio que a tudo objetiva e não é mais capaz de olhar com amor e compaixão para os seres que desabrocham e fenecem.
Cansei da música tola que se entoa com todo o arsenal da dialética, que embrutece quando não mais é serviçal da beleza.
Espero que o súbito me domine, que a admiração me guie. Não há amor maior do que aquele que simplesmente divaga sobre o que o seu coração sente valer a pena. Não há homem mais digno de inveja do que aquele que vive no êxtase de amar e ser amado.
Não há mais durezas, nem justificativas, nem crenças. Há apenas o amor que se transmuta em tantos símbolos porque todos eles são como mônadas que resumem o todo do universo. Há mais verdade em cada canto da criação do que em todos os livros do mundo. Há mais humildade na Natureza do que em qualquer nobre gesto filosófico.
Cheias de amor devem ser tuas tardes, cheias de alegria. Quanto tempo esperarás para se deixar vencer pela beleza?! Entregue-te à mestra das mestras: entregue-te à poesia.
Verdadeira educadora dos homens, mestra da filosofia, senhora que os poetas louvam por tomar-lhes o peito. Por ensiná-los o que verdadeiramente é amar. Por ensiná-los a ver o singular e não o universal.

Cansei da filosofia. Apenas amante da Beleza quero ser. Não há nada mais maravilhoso do que estar apaixonado e esquecido de si mesmo.  

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