quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A educação dietética e física: para tudo, autoconhecimento é pressuposto e meta

A educação dietética e física: para tudo, autoconhecimento é pressuposto e meta
                Os antigos gregos sabiam que a educação do corpo, que passava pela música e pela ginástica, era imprescindível sem uma dietética, ou seja, sem uma alimentação adequada. Ainda que existam muitos profissionais da nutrição e alimentos que hoje nos sejam oferecidos como saudáveis, a bem da verdade é que a alimentação saudável parece ser aquela com o máximo de produtos in natura, ou seja, sem que tenham passado por qualquer processo de industrialização, que eles sejam variados, de várias cores, numa quantidade não muito grande, para não dar vazão à gula e nem muito pequena, para poder dar força e energia para o enfrentamento da vida. Deve-se comer tanto alimentos de origem animal quanto vegetal, priorizando os vegetais quando se deseja passar por algum processo de desintoxicação mais severo, ainda que atividades físicas ajudem muito nisso também.
                É sim necessária uma educação alimentar, e é sim necessário que determinados alimentos e práticas sejam evitados, ou exercidos apenas de forma muito moderada. É óbvio para qualquer um que um corpo intoxicado por alimentos industrializados, sem o consumo regular de folhas, legumes, castanhas, nozes, brotos, grãos, frutas e outras benesses dadas pela Natureza vão sempre estar mais cansados, mais fáceis de adoecer e incapazes de bem exercer a atividade intelectual. Por outro lado, estamos tão viciados em alimentos ruins e sem qualquer valor nutricional mas com alguma carga de valor afetivo e emocional, que não seria fácil nos livrarmos deles, pois adoeceríamos de outras formas não físicas. Para tais casos, acho prudente o seu consumo moderado: é como se alguém te dissesse assim. Tudo bem, consuma-o, mas bem pouco, não se deixe viciar totalmente por ele, pois ele é perigoso.
                Foi assim e é assim o cigarro para mim. Tenho uma cota de cigarros permitidos por dia e faz mais de dez anos que sigo esta cota. Não fumo mais que dois cigarros por dia, um após o almoço e outro após o jantar. Se chego a fumar três, isso é uma exceção. E nos dias em que faço jejum, quartas e sextas, procuro não fumar, ainda que muitas vezes eu não o consiga. E existem dias que nem me lembro de fumar. Eu sei que não é o ideal, mas foi o que eu consegui para mim. A sabedoria exige que a gente vá aprendendo a saber como conjugar nossos defeitos de modo a não nos prejudicar totalmente e a gozar de certos prazeres que, embora nocivos, se forem completamente extirpados, podem nos trazer males de alma.
                Não consigo seguir nada à risca. É um problema de temperamento. Fora as orações que me são prescritas e os jejuns de quarta e sexta, não consigo ser disciplinada com nada. Sabe Deus como consegui fazer coisas na vida. Mas com relação a este meu vício, eu nunca conheci ninguém mais disciplinado do que eu.
                O processo de autoconhecimento precisa ser estar imanente a qualquer outro conhecimento que se adquira. Não basta você saber se algo é bom ou ruim, se é benéfico ou não em si mesmo. Isto só tem sentido quando puder ser aplicado à sua vida, quando puder fazer algum sentido maior para você. Não se trata de subjetivismo, mas de saber que não há vida para o objeto se não houver relação simbiótica entre ele e o sujeito. Quanto mais você se conhece, mais poderá usufruir melhor do conhecimento que adquire, mais poderá também selecionar que tipo de conhecimento fará mais sentido para você e quais são aqueles saberes que lhe colocam numa situação mais ativa e expandirão a sua consciência.

                O que mais tenho ouvido são pessoas dizendo: "o que eu devo estudar?". Eu não posso dizer o que uma pessoa deve estudar, porque isso exigiria que eu a conhecesse muito bem. Tudo o que eu recomendo a ler são livros que desafiaram a minha inteligência e que provavelmente poderão surtir efeitos semelhantes nas demais pessoas: mas isso é pouco. Procure conhecer-se melhor, ver no que tem verdadeira aptidão e selecione também, que tipo de conhecimento lhe é doloroso mas exigirá de você disciplina e estudo e lhe expandirá a inteligência após tê-lo adquirido. Estudar uma língua ajuda muito nisso, pois exige de você sair de si. 

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