A educação dietética e física: para tudo, autoconhecimento é
pressuposto e meta
Os antigos
gregos sabiam que a educação do corpo, que passava pela música e pela
ginástica, era imprescindível sem uma dietética, ou seja, sem uma alimentação
adequada. Ainda que existam muitos profissionais da nutrição e alimentos que
hoje nos sejam oferecidos como saudáveis, a bem da verdade é que a alimentação
saudável parece ser aquela com o máximo de produtos in natura, ou seja, sem que tenham passado por qualquer processo de
industrialização, que eles sejam variados, de várias cores, numa quantidade não
muito grande, para não dar vazão à gula e nem muito pequena, para poder dar
força e energia para o enfrentamento da vida. Deve-se comer tanto alimentos de origem
animal quanto vegetal, priorizando os vegetais quando se deseja passar por
algum processo de desintoxicação mais severo, ainda que atividades físicas
ajudem muito nisso também.
É sim
necessária uma educação alimentar, e é sim necessário que determinados
alimentos e práticas sejam evitados, ou exercidos apenas de forma muito
moderada. É óbvio para qualquer um que um corpo intoxicado por alimentos
industrializados, sem o consumo regular de folhas, legumes, castanhas, nozes, brotos,
grãos, frutas e outras benesses dadas pela Natureza vão sempre estar mais
cansados, mais fáceis de adoecer e incapazes de bem exercer a atividade
intelectual. Por outro lado, estamos tão viciados em alimentos ruins e sem
qualquer valor nutricional mas com alguma carga de valor afetivo e emocional,
que não seria fácil nos livrarmos deles, pois adoeceríamos de outras formas não
físicas. Para tais casos, acho prudente o seu consumo moderado: é como se
alguém te dissesse assim. Tudo bem, consuma-o, mas bem pouco, não se deixe
viciar totalmente por ele, pois ele é perigoso.
Foi
assim e é assim o cigarro para mim. Tenho uma cota de cigarros permitidos por
dia e faz mais de dez anos que sigo esta cota. Não fumo mais que dois cigarros
por dia, um após o almoço e outro após o jantar. Se chego a fumar três, isso é
uma exceção. E nos dias em que faço jejum, quartas e sextas, procuro não fumar,
ainda que muitas vezes eu não o consiga. E existem dias que nem me lembro de
fumar. Eu sei que não é o ideal, mas foi o que eu consegui para mim. A
sabedoria exige que a gente vá aprendendo a saber como conjugar nossos defeitos
de modo a não nos prejudicar totalmente e a gozar de certos prazeres que,
embora nocivos, se forem completamente extirpados, podem nos trazer males de
alma.
Não
consigo seguir nada à risca. É um problema de temperamento. Fora as orações que
me são prescritas e os jejuns de quarta e sexta, não consigo ser disciplinada com
nada. Sabe Deus como consegui fazer coisas na vida. Mas com relação a este meu
vício, eu nunca conheci ninguém mais disciplinado do que eu.
O
processo de autoconhecimento precisa ser estar imanente a qualquer outro
conhecimento que se adquira. Não basta você saber se algo é bom ou ruim, se é
benéfico ou não em si mesmo. Isto só tem sentido quando puder ser aplicado à
sua vida, quando puder fazer algum sentido maior para você. Não se trata de subjetivismo,
mas de saber que não há vida para o objeto se não houver relação simbiótica
entre ele e o sujeito. Quanto mais você se conhece, mais poderá usufruir melhor
do conhecimento que adquire, mais poderá também selecionar que tipo de
conhecimento fará mais sentido para você e quais são aqueles saberes que lhe
colocam numa situação mais ativa e expandirão a sua consciência.
O que
mais tenho ouvido são pessoas dizendo: "o que eu devo estudar?". Eu não posso
dizer o que uma pessoa deve estudar, porque isso exigiria que eu a conhecesse
muito bem. Tudo o que eu recomendo a ler são livros que desafiaram a minha
inteligência e que provavelmente poderão surtir efeitos semelhantes nas demais
pessoas: mas isso é pouco. Procure conhecer-se melhor, ver no que tem
verdadeira aptidão e selecione também, que tipo de conhecimento lhe é doloroso
mas exigirá de você disciplina e estudo e lhe expandirá a inteligência após tê-lo adquirido. Estudar uma língua ajuda muito nisso, pois exige de você sair de si.
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