segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cuidado com os que se julgam especialistas em educação

A educação tem sido uma arma poderosa na busca por ampliação da condição de sujeito (quem é o sujeito, ou quem são os sujeitos?), da intersubjetividade (como elaborar um conhecimento cujo sentido diga respeito a todos nós?) e também da emancipação (como podemos nos livrar das diversas amarras que nos prendem a sistemas totalitários de análise e poder?).
Mas de todas estas perspectivas, uma chama muito profundamente a minha atenção: é a questão da ampliação da consciência. O que é uma consciência ampliada? Não conheço ninguém que julgue não ter uma consciência ampliada, mas a verdade é que quase todos nós temos uma consciência muito restrita e reduzida às nossas experiências. Desta forma a leitura, principalmente da literatura e da filosofia, bem como viajar, conhecer e ouvir a boa música, procurar assumir diferentes papéis sociais, conhecer todo o tipo de gente e ter coragem, são pressupostos necessários indispensáveis para a ampliação da consciência.
Pode-se muito bem usar-se o jargão de ampliação da consciência para se vender uma ideia, uma ideologia, apenas por ela ser nova. Creio que estamos num processo ininterrupto de busca desta ampliação, mas se não nos atermos a estes pressupostos o risco que corremos é de ficarmos apenas repetindo fraseologias, não mudarmos nada de substancial em nós e fazermos da educação uma panaceia, que na verdade funcionaria apenas como um placebo.
O processo de autoeducação vai além de discussão de políticas educacionais, ou modelos de gestão educacional, ou mesmo de inclusão de temas e de sujeitos, ainda que isto tudo seja sumamente importante. O processo de autoeducação visa você se tornar um indivíduo cuja erudição irá mudar substancialmente a sua vida e dos demais à sua volta, proporcionando-lhes uma compreensão mais integrada dos fenômenos, suas causas, implicações e aberturas e principalmente, um indivíduo cuja autoconsciência não seja apenas social ou histórica, mas uma autoconsciência ontológica e integrada ao sentido último da sua própria vida. Quem tem nos proporcionado isto? Que escola o tem feito? vejam que os mestres da Antiguidade prometiam isto aos seus pupilos. A resposta, não se podendo mais oferecer uma educação que nos transforme ontologicamente, oferecemos com o nome de educação apenas uma série de conteúdos que podem se revelar pragmaticamente úteis para a manutenção do próprio sistema que nos sufoca.

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