sábado, 29 de outubro de 2016

e-mail a um amigo querido

Transcrevo um e-mail que acabei de enviar.


Oi querido,
Estava querendo escrever antes, mas com as crianças correndo pela casa, escrevo tudo errado. Bem, agora que tive mais tempo de meditar sobre o assunto, e iluminada pelas orações, ouso dizer o seguinte.
O processo de imanentização no Ocidente, que é bastante claro na obra de Espinosa, acabou por reivindicar o caráter natural, depois histórico, depois sociológico, depois cultural, depois psicológico e assim vai, dos fenômenos. Não quero dizer que não existam aspectos naturais, sociológicos, históricos ou culturais nos acontecimentos, mas que o Ocidente, por sua arrogância, tendeu a acreditar que estas formas de redução seriam capazes de dar conta do conjunto, da Totalidade, e é óbvio que isso, mais cedo ou mais tarde, desembocaria nas diversas formas de totalitarismo político e epistemológico do século XX.
Se a infalibilidade não está ligada também a inefabilidade, como isso não poderia acontecer? Parece-me óbvio que a infalibilidade da razão, da história, da psique, ou seja lá do que for, conduzem inevitavelmente ao totalitarismo da natureza, razão e da história e, obviamente, a todas estas aberrações do século XX que falavam em leis da história, em leis naturais que justificavam eugenias , e por ai vai.
Quando vejo que bastaria a nós conhecer a tradição grega cristã, que bastaria meditá-la, amá-la e respeitá-la para evitar tudo o que foi feito contra o homem nos últimos séculos... dói -me o coração o tamanho de nossa burrice. Alguém pode dizer: bastaria conhecer Cristo, e eu concordaria. Mas não se conhece Cristo, em plenitude, fora de sua Igreja.
Abraços,

rochelle

3 comentários:

  1. "Totalitarismo epistemológico". Eis um termo que vai para a minha lista de "termos úteis", como a chamo.

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