sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Teoria crítica

Teoria Crítica
Os conceitos de Marx e Engels serviram para teorizar e criticar a educação na reprodução das sociedades capitalistas e para propor projetos de educação alternativa.
Engels e Marx viveram a Revolução Industrial e o nascimento da luta de classes. O jovem Marx e Engels perceberam que  a educação junto ao proletariado estaria condenada ao fracasso, já que o destino da maioria dos proletários ou era o misticismo ou a bebedeira. Sua teoria do materialismo histórico foi usada para teorizar e criticar instituições educativas na sociedade burguesa e para desenvolver concepções alternativas de educação que estão de acordo com princípios marxistas socialistas. A mudança das condições sociais criaria novas formas de educação, de modo que as sociedades capitalistas produziriam instituições educativas que reproduziriam relações sociais dominantes com seus valores e práticas. Os modos alternativos de educação preparariam os estudantes e cidadãos para modos mais progressivos  e socialistas de organização social. Marx buscaria uma vida não alienada em que a educação seria chave deste processo. Para Marx, a transformação das relações sociais produziriam a base para uma nova sociedade de labor não alienado em que os indivíduos poderiam utilizar seu tempo livre para desenvolver plenamente suas capacidades humanas e o labor seria um processo de experimentação, criatividade e progresso. O sistema de automação produziria bens sociais e os indivíduos poderiam aproveitar os frutos de seu trabalho criativo, onde a educação seria parte essencial do processo de vida.
No terceiro volume do Capital, Marx descreve esta nova ordem social em termos de um ‘reino da liberdade’, escrevendo “Liberdade neste campo apenas consiste no homem socializado, os produtores associados, a racionalidade regulando sua mudança com a Natureza”.
A visão mais distinta do socialismo constitui uma quebra na História. Enquanto o capitalismo é uma sociedade organizada em torno do trabalho e da produção, o socialismo seria uma ordem que desenvolveria plenamente os seres humanos. Marx formulou esta radical visão de uma nova sociedade em seu texto “Crítica ao Programa de Gotta” como o produto de uma transmissão da fase mais elevada do comunismo. Na visão utópica de Marx, a educação ajudaria a desenvolver plenamente os indivíduos socializados, criaria uma sociedade harmoniosa e intensificaria a criatividade em todas as suas formas. No entanto, faltou uma consideração mais pormenorizada de um programa educativo. As gerações posteriores dos teóricos marxistas desenvolveriam teorias mais sofisticadas de teorias da consciência, comunicação e educação, onde as subjetividades políticas poderiam ser formadas.
As gerações que sucederam Marx perceberam que o paradigma clássico super enfatizou a dimensão de classe, e deixou de lado as questões de gênero, raça, sexualidade e outras chaves constituintes da experiência humana. A teoria marxista original não tratou do desenvolvimento da consciência individual e da intersubjetividade e seu desenvolvimento na comunicação, na ação simbólica e na cultura. Marx teria falhado ao não ter considerado a comunicação como importante no desenvolvimento de novas formas de associação e solidariedade. Ele colocaria, assim, muita ênfase na luta de classes, e não tanto na democracia e na comunicação.
Marx nunca considerou a importância das instituições da democracia liberal como uma importante herança das sociedades modernas que deveriam ser absorvidas ao socialismo. Ele nunca considerou o uso socialista que poderia ser feito das instituições burguesas. Deste modo, Marx tinha uma teoria da educação e da democracia bastante inadequadas para os fins socialistas, e por isso mesmo ele falhou ao desenvolver uma teoria da educação, o que ficou para cargo das gerações marxistas posteriores.
Estas gerações trataram de pensar em que sentido determinadas instituições burguesas poderiam modificar a sociedade e transformar a consciência das pessoas.
A perda de autoridade da família garante a valorização de outras formas de grupamento social e a valoração por meio deles. Em seu exílio nos Estados Unidos, a Escola de Frankfurt focalizou-se no papel que os meios de comunicação desempenhariam na educação e na socialização das pessoas. Para alargar a pesquisa, a Escola de Frankfurt passou a se concentrar em estudos culturais.
Os teóricos da escola de Frankfurt cunharam o termo “indústria cultural” para significar o processo de produção em massa da cultura e seus imperativos mercadológicos. Eles defendiam que a indústria cultural tinha a função específica de garantir legitimação ideológica para as sociedades capitalistas. Mediante a teoria da indústria cultural, eles foram os primeiros a analisar os meios de comunicação de massa. Por meio deste escrutínio teórico crítico, eles analisaram o alcance pedagógico e social da indústria cultural na reprodução das sociedades contemporâneas, e defenderam que a cultura de massa e a comunicação são importantes agentes de socialização e educação, mediadores da realidade política, e devem ser vistos como as principais instituições das sociedades contemporâneas.
Estes teóricos examinaram os efeitos da cultura de massa e o nascimento da sociedade de consumo que poderiam servir como instrumentos da revolução no cenário marxista. Também analisaram como a sociedade de consumo e a indústria cultural realizariam novos tipos de pedagogia. Por conseguinte, eles buscaram novas estratégias para a mudança política, agenciamentos de transformação social e política, e modelos para a emancipação política que serviriam como normas da crítica social e metas para a luta política. Este projeto requereu repensar o projeto marxista e produziu muitas contribuições importantes, como também posições problemáticas.
Após a segunda guerra mundial, eles passaram a investigar meios de plena produção de subjetividades: ainda que não tenham intervindo nas escolas, interviram fortemente nas universidades. Contra o fordismo presente na década de 50, Marcuse escreveu sua crítica ao homem unidimensional, afirmando que os meios de comunicação, as instituições educacionais, outras formas de socialização estavam produzindo este tipo de homem.
Para os teóricos da escola de Frankfurt a indústria cultural e a sociedade de consumo estariam homogeneizando as necessidades e desejos, gerando uma sociedade de massa baseada na organização social homogênea e acrítica. No entanto, o uso estratégico destes meios, poderia produzir a consciência emancipada requerida para a revolução marxista. E assim, escola, igrejas, instituições da sociedade civil, meios de comunicação são meios importantes para este agenciamento revolucionário.
As trajetórias dos estudos culturais
Como a Escola de Frankfurt, os estudos culturais da Escola Britância concluíram que a cultura de massa estava desempenhando um importante papel para a produção de uma hegemonia cultural.
Ambos viram a cultura como um modo de reprodução ideológica de hegemonia, em que as instituições educacionais e as formas culturais ajudariam a formar os modos de pensamento e comportamento que induziria os indivíduos a se adaptar às condições sociais das sociedades capitalistas. Os teóricos da escola de Frankfurt e dos estudos culturais britânicos viram a alta cultura como uma força de resistência contra a modernidade capitalista.
Desde o início, os estudos culturais britânicos viram na alta cultura uma importante fonte de resistência contra a hegemonia cultural massificada. Empregando o modelo Gramsciano de hegemonia e contra-hegemonia, os estudos culturais procuraram analisar o papel hegemônico, social e cultural desempenhado por determinadas formas de dominação

Escola de Frankfurt, Cultura e Regimes de Capital
Os teóricos da escola de Frankfurt raramente falaram explicitamente de pedagogia, ainda que sua crítica à indústria cultural sirva como um importante modelo dos estudos culturais marxistas e a pedagogia pode apresentar importantes contribuições para a mudança da consciência, cultura. O projeto era destinado à transformação social e tentou especificar forças de dominação e resistência de modo a ajudar no processo de luta política e emancipação da opressão e dominação.
A pedagogia crítica de Freire à América do Norte

Enquanto Dewey procurou pensar a educação como meio de produção de cidadãos livres para a moderna sociedade capitalista, Paulo Freire pensou na educação como meio para a prática revolucionária, no sentido forte marxista do termo.  

Por estas observações, fica bastante claro e manifesto que há um enfoque muito claro de que a educação é uma arma para fins de transformação social e não um fim em si mesmo, ou uma ferramenta de auto aprimoramento do homem.  



Este texto é apenas um apanhado de anotações do capítulo "teoria crítica" retirado do livro CURREN, R. ed. A Companion to the Philosophy of Education, Melbourne, 2003. Em alguns casos há mera tradução livre. 

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