Trivium à
Filosofia Moral
Quadrivium à
Filosofia Natural
A coisa mais importante que torna a sociedade boa, justa e
sábia é a educação.
Escola que pratica os seus princípios.
Educação completa pelas artes liberais. Educação integral.
A educação pelas artes liberais pode ter como inventores
grandes mentes da História, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Cristo,
Agostinho, Pascal, C.S.Lewis.
É uma educação não para estabelecer um padrão mínimo de
compreensão, que acaba acarretando a homogeneização das mentes. Reavivamento
espiritual como forma de combater a decadência cultural do ocidente.
Objeções possíveis:
2) É autoritário, velho, tradicionalista, fundamentado numa visão metafísica de mundo.
3) Não está em linha com as filosofias modernas: o ceticismo, o subjetivismo, o pragmatismo, o neopragmatismo, o pós modernismo, o neopositivismo, o neo estruturalismo, etc. E isso se deve ao fato dele remar contra a maré, sendo praticamente um movimento de contracultura.
4) Outra objeção é que ele crer existir proposições que sejam verdadeiras e outras que sejam falsas para além de qualquer objeção cética.
5) É um programa que só consegue ser implantado com pequenos grupos, com pequenas escolas, justamente porque ele vai na contramão de uma cultura de massas.
6) Busca a VERDADE POR SI MESMA E NÃO POR SEU USO PRÁTICO. Como ensina Chesterton, A necessidade prática da maioria dos homens é ser muito mais do que um pragmatista.
7) Não é uma educação para o mercado, ou para você vencer neste mundo. Ensina-lhe como pensar e como viver, ensinando-lhes a como ler e escrever logicamente e criativamente.
8) É religiosa e cristã. Não é necessário que se seja cristão para se ter bom benefício desta educação, é necessário crer que existe o sobrenatural e que o homem não se resume ao natural. A graça aperfeiçoa a natureza.
As sete artes liberais são parte da riqueza que nós herdamos
do mundo antigo. Os antigos acreditavam que estas sete artes não eram apenas
assuntos para se tornarem mestres, mas caminhos certos e seguros de formar na
alma a virtude intelectual necessária para adquirir a verdadeira sabedoria.
Dorothy Sayers e Doug Wilson falam de ferramentas perdidas. A crise da educação
atual, segundo estes autores, é de aprendizado.
As artes do Trivium trabalham com a linguagem. As artes do
Quadrivium trabalham com as matemáticas. Alguns autores, como Sayers e Wilson
vem o Trivium apenas como um projeto de formação moral. Outros veem que esta
formação é dada no Conjunto entre o Trivium e o Quadrivium (Littlejohn e
Evans).
Como o ser humano é muito mais do que intelecto, as 7 artes
precisam desenvolver mais do que apenas virtudes intelectuais. Criaturas
sobrenaturais devem ser educadas no corpo, alma, mente, vontade e afecções. A
tradição educacional clássica incorpora apenas um tipo de currículo integrado
através do entendimento das demandas naturais. O alvo desta educação plena e a
educação integrada dos seres humanos, cujos corpos, corações, e mentes são
formadas respectivamente pela ginástica, música e as artes liberais; cuja
relação com Deus, vizinho e a comunidade são marcados pela piedade; cujo
conhecimento do mundo, do homem e de Deus se encaixam harmoniosamente com uma
filosofia distintamente cristã; e cujas vidas são informadas e governadas por
uma teologia forjada da Revelação de Deus em Jesus Cristo e sido transmitida na
Cristandade Histórica. Estas ferramentas
forjam não apenas o aprimoramento intelectual, como também a imaginação moral
capaz de engendrar a piedade.
Fundamentada na piedade, a educação clássica cristã cultiva
a virtude do estudante no corpo, coração e mente, enquanto nutre um amor pela
sabedoria sob a veneração do Cristo.
Fundamentada na piedade e governada pela
teologia
Os antigos acreditavam que a educação era fundamentalmente
sobre engendrar o amor. Toda educação é ano amor. A piedade é o amor a Deus,
sumo Bem, e ao próximo. A piedade requeria uma fé devota manifesta na ação. A
educação era a enculturação na piedade, virtude, sabedoria e graça, e o
currículo servia à cultura.
“Credo ut intelligam” de Anselmo expressa este espírito.
Assim a Teologia, a ciência da Escritura, repousa no ápice da educação. O
crescimento na piedade foi o fundamento
e foi precedido por muitos anos de estudo crítico da doutrina que só podia ser
dado com grande cuidado intelectual e sabedoria. As crenças teológicas e
metafísicas atravessaram a cultura, a Igreja, a universidade e verdadeiramente
governaram a forma e o conteúdo do currículo como as faculdades das
universidades devem entender os sentidos de Deus no mundo. A Teologia era a
rainha das ciências, mas uma rainha servil. A graça não confronta com a
natureza, mas a aperfeiçoa. O currículo era fundamentado na piedade e governado
pela teologia.
Ginástica e Música: o treinamento dos corpos e a conversão
do coração
Os antigos não conceberam os homens como mentes incorpóreas,
mas unidades de corpo e alma –mente, vontade e afecções. A educação musical e a
ginástica treinava os corpos e preparava os corações dos jovens para a etapa
posterior no desenvolvimento da piedade. O desenvolvimento da virtude no atleta
era um elemento essencial do treinamento da ginástica. A educação musical era
uma educação no espanto, na admiração. Ela formava o coração e a imaginação
moral do jovem. A educação musical não era primariamente ou exclusivamente
sobre canto ou instrumentos. Estudava-se todos os assuntos inspirados pelas
Musas (da poesia épica até a astronomia). A imitação precede a arte, era uma
máxima dos antigos. A educação musical, dirigida para o pleno engajamento da
realidade, ofereceu este fundamento imitativo para o aprendizado das artes e
das ciências. A educação musical e a ginástica ajustava o coração e os corpos à
realidade, formando-os na virtude. Elas educam as paixões, mais do que oferecem
habilidades e conteúdos.
As artes liberais são
as ferramentas de aprendizado, tanto
linguístico quanto matemático
O crescimento exponencial da informação hoje supera o
estudante. As artes liberais, por outro lado, oferecem um cânon particular de
sete estudos que garantem as ferramentas essenciais para todo o aprendizado
subsequente. Os assuntos das artes liberais não eram apenas linguísticos, mas
incluíam também as ciências matemáticas e as matemáticas. Matemática é uma
disciplina central da educação tradicional ocidental e sua inclusão no
currículo se deve ao papel que ela desempenhou na academia platônica. O papel
do latim para as artes da linguagem também desempenha um papel mais
significativo do que já foi expresso. Ele treina o estudante não apenas no que
pensar, mas em como pensar.
As artes liberais peneiram da infinidade de artes e ciências
um cenário canônico de sete artes liberais cruciais que fornecem as ferramentas
de aprendizado necessárias nos três ramos da filosofia ou da Ciência. Pode-se
perguntar, quais artes? De acordo com Aristóteles, ciência é um corpo de
conhecimento justificado pela razão que pode estar apenas na mente. Arte, por
outro lado, é uma imitação unida à razão, ou uma ciência unida à prática. Uma
arte é, de fato, uma ferramenta. O que são, então, as artes liberais? As artes
liberais são sete ferramentas usadas para criar e justificar a ciência. As do
trivium são ferramentas da linguagem. As do quadrivium são ferramentas da
matemática.
As artes liberais, unidas à piedade, ginástica e música não
são suficientes para a educação toda. As artes liberais são ferramentas apenas
pretendidas de aprendizado para serem usadas em todos os outros estudos. Os
três ramos da filosofia e, em adição, da teologia, contém uma tapeçaria
integrada de todos os outros conhecimentos como representados pelas inúmeras
ciências particulares, como a biologia, a ética, a economia e a química.
O estudo das artes liberais não serve para substituir o
estudo legítimo de outras artes e ciências. Ao contrário, o caminho é tornar a
aquisição de todos os estudos posteriores mais simples e efetivo.
A filosofia é o amor
da sabedoria na realidade natural, divina e moral
O nome filosofia será entendido aqui em seu sentido clássico,
desde o século IV a.C. até o século XIII para descrever a unidade do
conhecimento que cobre todos os assuntos. No sistema medieval a filosofia tinha
3 ramos: a filosofia natural, a filosofia moral, a filosofia divina
(metafísica). A filosofia natural é a ciência natural. A filosofia moral é a
moderna ciência social. E a metafísica, o estudo do ser, guarda os segredos da
realidade e divulga sua unidade transcendental. Por estas razões os termos
ciência natural e ciência moral frequentemente são usados como cognatos para a
filosofia natural e moral.
As Ciências Naturais particulares como a mecânica, a
biologia e a alquimia cairiam sob o guarda chuva da filosofia natural.
As ciências morais particulares como a ética, a política ou
a economia estariam contidas na filosofia moral. O termo ciência significa um
conhecimento demonstrável de causas. Para Aristóteles houve quatro causas que
eram para ser estudadas em ciência: material, formal, eficiente e final. A
ciência contemporânea tem desprezado as causas formais e finais, e reduzido
tudo à causa eficiente e material.
Os antigos acreditavam que a arte imita a natureza e
consequentemente os medievais frequentemente estudaram a filosofia natural como
uma preparação para a filosofia moral. A metafísica ajudava a conectar a
moralidade com o natural assim como o criado ao divino. O Cristo reconcilia o
que vem separado. Estas três filosofias, natural, moral e divina, conteriam
todos os assuntos e disciplinas da universidade contemporânea.
Piedade:
Piedade é uma palavra perdida em nosso vocabulário
contemporânea. Ela não possui o mesmo apelo contemporâneo que “transparência”,
“transformação radical”, “transformação social”. Mas talvez piedade seja a
palavra que precisemos hoje. A piedade significa o dever, o amor, e o respeito
devidos a Deus, aos pais, aos semelhantes, às autoridades comunitárias do
passado e do presente.
No livro, “As ideias têm consequências” Richard Weaver
afirma que a perda do elemento crítico em nossa cultura tem sido a doença mais
fundamental de nossa sociedade contemporânea. Ele mostra o homem moderno como
ímpio. A litania das revoluções mostram a evidência disso. Mostra também como a
modernidade é sempre agitada, incapaz de serenidade.
A piedade era a virtude central da Roma de César Augusto.
Tanto assim que Virgílio descrevia Enéias como pio. A modernidade se mostra
como rejeição do passado, com o próximo e com a natureza.
O códice do Deuteronômio do antigo Israel exigiu respeito
aos pais, à tradição e aos antigos. A piedade formou o fundamento crucial da
antiga sociedade hebraica. A cultura clássica greco romana exigia respeito
pelas autoridades e pelo divino. Sócrates é condenado à morte por ser acusado
de impiedade. A piedade enforma o nosso ser e identifica quem somos.
A piedade era a virtude mais cultivada entre os romanos e os
hebreus do que entre os gregos. E será uma virtude fundamental na tradição
cristã. Cicero definiu a piedade como a virtude que “admoesta-nos a cumprir com
nosso dever para com nosso país, nossos pais e os que estão ligados a nós pelos
laços de sangue”. Nas Instituições, Calvino define a verdadeira piedade como
“aquela referência que nos une a Deus e nos faz buscar um conhecimento que
beneficie aos demais”. Thomas de Aquino escreve como a piedade dirige-nos ao
mesmo tempo para Deus e os outros, “pela virtude da piedade o homem devota o
dever e a veneração não apenas aos seus pais na carne, mas também a tudo o que
se relaciona ao seu pai, e pelo dom da piedade ele devota dever e veneração não
apenas a Deus, mas a todos os homens na sua relação com Deus”.
Piedade pode ser mais simplesmente estabelecida como o amor
próprio e o temor a Deus e ao homem. Neste sentido, é pedida por Cristo como o
mandamento máximo. A piedade é intimamente unida à palavra amor, ainda que ela
inclua as noções de temor reverente, dever e ação. Gregório Thaumaturgus
identifica a piedade como “a mãe de todas as virtudes”. Para Agostinho, a
virtude é a ordo amoris. O amor de Deus deve sempre tomar precedência sobre
outros amores.
Este ordenamento próprio não pode ser feito à parte da graça
de Deus, devido ao pecado original. Talvez seja por isso que Aquino distinga o dom da piedade da virtude da piedade. A graça
de Deus oferecida em Cristo pode formar o fundamento suficiente para a
verdadeira graça aos outros. O trabalho da escola depende da formação cristã
recebida na igreja e na família, mas a escola deve desenvolver e apoiar este
fundamento. Para os antigos, a ordem própria do amor era o edifício crucial de
toda a educação moral e intelectual.
Enquanto a ordem própria do amor de Deus e as pessoas é a
formação crucial e moral, a piedade é também um pré requisito essencial para o
verdadeiro entendimento, uma lição ensinada por Cristo e reiterada pelos pais
da Igreja. Agostinho aponta que a piedade é uma das seis etapas para a
sabedoria. A cultura cristã e clássica reconhece que a virtude e a piedade
desempenham um papel nesta perseguição da sabedoria.
Todas estas decisões estão enraizadas no comprometimento da
piedade. Assim a piedade é um fundamento crítico para o empreendimento educacional.
Enquanto a escola hoje é vista ou como um treinamento vocacional ou pior, uma
oportunidade para os estudante “descobrirem a eles mesmos” por uma perspectiva
a histórica, amoral. A educação no Ocidente desde os Antigos Gregos centrou-se na
enculturação. Como uma geração pode passar sua cultura para a próxima geração?
Sem o comprometimento com a tradição a educação pode desaparecer. Um projeto
educacional que procure educar a partir da neutralidade de valores é
insustentável, porque não desenvolve um senso de dever, de obrigação, de
comprometimento.
Sem estudantes que internalizem um respeito e reverência ao
Sumo Bem, sem heróis, que não admirem ninguém, dificilmente respeitarão os
pais, professores e mais velhos. Aprender é estar aberto a submeter-se a algo.
Uma criança em um estado de rebelião ativa ou passiva nunca será enculturada em
um sentido consoante à tradição.
Ginástica e Música
A ginástica e a música devem iniciar os primeiros anos de
estudo.
O treinamento deve ser cuidadoso e deve continuar ao longo
da vida.
Os grandes professores do passado tinham diferentes
concepções da natureza e do conteúdo do currículo escolar.
Este é especialmente o caso com respeito ao que chamamos de
educação elementar. Na República vemos como estas duas disciplinas desempenham
um importante papel nos primeiros anos formativos da educação.
A educação clássica procura preferencialmente construir sob
uma educação moral e poética que mova para a análise ou para a crítica.
Ginástica é o condicionamento físico da criança. Culmina na
corrida, natação, luta livre, etc, incluindo os rudimentos de controle sobre o
corpo. A música é similarmente ampla e trata do que os antigos acreditaram ser
inspirada pelas Musas. Este aspecto da educação inclui o que chamamos de
música, mas também poesia, drama, artes e literatura. Na antiguidade clássica
uma porção da educação das crianças consistia no treinamento físico, no canto,
na memorização da poesia, no agir e imitar, no desenho, na escultura, no
aprendizado de ditos de grandes homens do passado, na leitura de grandes obras
da literatura, na experiência e observação do mundo natural. Isto deve nos
fazer considerar a educação clássica.
Mas porque os antigos gastavam tanto tempo nestas duas áreas?
A resposta, acreditamos, é simples e profunda nas implicações da educação
cristã: o treinamento físico disciplinado da ginástica e o treinamento
emocional da música são fundamentos para a aquisição de virtudes tanto morais
quanto intelectuais. Estas duas disciplinas ajudam na educação da pessoa por
inteira.
Ginástica:
treinamento do corpo para o bem da alma
Na escola atual a
educação física não é vista do mesmo modo como era nas escolas clássicas
cristãs. Nossa meta aqui é discutir a importância da educação física e da
atlética para um currículo clássico cristão, reconhecendo-os como elementos centrais
do paradigma de ensino que está sendo defendido neste ensaio.
A educação não é apenas uma questão intelectual porque o ser
humano não é apenas mente. Um currículo pleno deve cultivar o bem da pessoa
inteira, de corpo e alma. O treinamento pela ginástica é um elemento essencial
do currículo. A falha em se reconhecer isto não é apenas uma falha educacional,
é uma falha antropológica.
O que é a educação pela ginástica? A educação é o
aperfeiçoamento de habilidades humanas.
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