terça-feira, 27 de setembro de 2016

Trivium

Trivium à Filosofia Moral
Quadrivium à Filosofia Natural
A coisa mais importante que torna a sociedade boa, justa e sábia é a educação.
Escola que pratica os seus princípios.
Educação completa pelas artes liberais. Educação integral.
A educação pelas artes liberais pode ter como inventores grandes mentes da História, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Cristo, Agostinho, Pascal, C.S.Lewis.
É uma educação não para estabelecer um padrão mínimo de compreensão, que acaba acarretando a homogeneização das mentes. Reavivamento espiritual como forma de combater a decadência cultural do ocidente.
Objeções possíveis:
1)      É um programa elitista, que prima apenas pela excelência e não pela conformidade.
2)      É autoritário, velho, tradicionalista, fundamentado numa visão metafísica de mundo.
3)      Não está em linha com as filosofias modernas: o ceticismo, o subjetivismo, o pragmatismo, o neopragmatismo, o pós modernismo, o neopositivismo, o neo estruturalismo, etc. E isso se deve ao fato dele remar contra a maré, sendo praticamente um movimento de contracultura.
4)      Outra objeção é que ele crer existir proposições que sejam verdadeiras e outras que sejam falsas para além de qualquer objeção cética.
5)       É um programa que só consegue ser implantado com pequenos grupos, com pequenas escolas, justamente porque ele vai na contramão de uma cultura de massas.
6)      Busca a VERDADE POR SI MESMA E NÃO POR SEU USO PRÁTICO. Como ensina Chesterton, A necessidade prática da maioria dos homens é ser muito mais do que um pragmatista.
7)      Não é uma educação para o mercado, ou para você vencer neste mundo. Ensina-lhe como pensar e como viver, ensinando-lhes a como ler e escrever logicamente e criativamente.
8)      É religiosa e cristã. Não é necessário que se seja cristão para se ter bom benefício desta educação, é necessário crer que existe o sobrenatural e que o homem não se resume ao natural. A graça aperfeiçoa a natureza.


As sete artes liberais são parte da riqueza que nós herdamos do mundo antigo. Os antigos acreditavam que estas sete artes não eram apenas assuntos para se tornarem mestres, mas caminhos certos e seguros de formar na alma a virtude intelectual necessária para adquirir a verdadeira sabedoria. Dorothy Sayers e Doug Wilson falam de ferramentas perdidas. A crise da educação atual, segundo estes autores, é de aprendizado.
As artes do Trivium trabalham com a linguagem. As artes do Quadrivium trabalham com as matemáticas. Alguns autores, como Sayers e Wilson vem o Trivium apenas como um projeto de formação moral. Outros veem que esta formação é dada no Conjunto entre o Trivium e o Quadrivium (Littlejohn e Evans).
Como o ser humano é muito mais do que intelecto, as 7 artes precisam desenvolver mais do que apenas virtudes intelectuais. Criaturas sobrenaturais devem ser educadas no corpo, alma, mente, vontade e afecções. A tradição educacional clássica incorpora apenas um tipo de currículo integrado através do entendimento das demandas naturais. O alvo desta educação plena e a educação integrada dos seres humanos, cujos corpos, corações, e mentes são formadas respectivamente pela ginástica, música e as artes liberais; cuja relação com Deus, vizinho e a comunidade são marcados pela piedade; cujo conhecimento do mundo, do homem e de Deus se encaixam harmoniosamente com uma filosofia distintamente cristã; e cujas vidas são informadas e governadas por uma teologia forjada da Revelação de Deus em Jesus Cristo e sido transmitida na Cristandade Histórica.  Estas ferramentas forjam não apenas o aprimoramento intelectual, como também a imaginação moral capaz de engendrar a piedade.
Fundamentada na piedade, a educação clássica cristã cultiva a virtude do estudante no corpo, coração e mente, enquanto nutre um amor pela sabedoria sob a veneração do Cristo.  
 Fundamentada na piedade e governada pela teologia
Os antigos acreditavam que a educação era fundamentalmente sobre engendrar o amor. Toda educação é ano amor. A piedade é o amor a Deus, sumo Bem, e ao próximo. A piedade requeria uma fé devota manifesta na ação. A educação era a enculturação na piedade, virtude, sabedoria e graça, e o currículo servia à cultura.
“Credo ut intelligam” de Anselmo expressa este espírito. Assim a Teologia, a ciência da Escritura, repousa no ápice da educação. O crescimento na piedade  foi o fundamento e foi precedido por muitos anos de estudo crítico da doutrina que só podia ser dado com grande cuidado intelectual e sabedoria. As crenças teológicas e metafísicas atravessaram a cultura, a Igreja, a universidade e verdadeiramente governaram a forma e o conteúdo do currículo como as faculdades das universidades devem entender os sentidos de Deus no mundo. A Teologia era a rainha das ciências, mas uma rainha servil. A graça não confronta com a natureza, mas a aperfeiçoa. O currículo era fundamentado na piedade e governado pela teologia.

Ginástica e Música: o treinamento dos corpos e a conversão do coração
Os antigos não conceberam os homens como mentes incorpóreas, mas unidades de corpo e alma –mente, vontade e afecções. A educação musical e a ginástica treinava os corpos e preparava os corações dos jovens para a etapa posterior no desenvolvimento da piedade. O desenvolvimento da virtude no atleta era um elemento essencial do treinamento da ginástica. A educação musical era uma educação no espanto, na admiração. Ela formava o coração e a imaginação moral do jovem. A educação musical não era primariamente ou exclusivamente sobre canto ou instrumentos. Estudava-se todos os assuntos inspirados pelas Musas (da poesia épica até a astronomia). A imitação precede a arte, era uma máxima dos antigos. A educação musical, dirigida para o pleno engajamento da realidade, ofereceu este fundamento imitativo para o aprendizado das artes e das ciências. A educação musical e a ginástica ajustava o coração e os corpos à realidade, formando-os na virtude. Elas educam as paixões, mais do que oferecem habilidades e conteúdos.

As artes liberais são as ferramentas  de aprendizado, tanto linguístico quanto matemático
O crescimento exponencial da informação hoje supera o estudante. As artes liberais, por outro lado, oferecem um cânon particular de sete estudos que garantem as ferramentas essenciais para todo o aprendizado subsequente. Os assuntos das artes liberais não eram apenas linguísticos, mas incluíam também as ciências matemáticas e as matemáticas. Matemática é uma disciplina central da educação tradicional ocidental e sua inclusão no currículo se deve ao papel que ela desempenhou na academia platônica. O papel do latim para as artes da linguagem também desempenha um papel mais significativo do que já foi expresso. Ele treina o estudante não apenas no que pensar, mas em como pensar.
As artes liberais peneiram da infinidade de artes e ciências um cenário canônico de sete artes liberais cruciais que fornecem as ferramentas de aprendizado necessárias nos três ramos da filosofia ou da Ciência. Pode-se perguntar, quais artes? De acordo com Aristóteles, ciência é um corpo de conhecimento justificado pela razão que pode estar apenas na mente. Arte, por outro lado, é uma imitação unida à razão, ou uma ciência unida à prática. Uma arte é, de fato, uma ferramenta. O que são, então, as artes liberais? As artes liberais são sete ferramentas usadas para criar e justificar a ciência. As do trivium são ferramentas da linguagem. As do quadrivium são ferramentas da matemática.
As artes liberais, unidas à piedade, ginástica e música não são suficientes para a educação toda. As artes liberais são ferramentas apenas pretendidas de aprendizado para serem usadas em todos os outros estudos. Os três ramos da filosofia e, em adição, da teologia, contém uma tapeçaria integrada de todos os outros conhecimentos como representados pelas inúmeras ciências particulares, como a biologia, a ética, a economia e a química.
O estudo das artes liberais não serve para substituir o estudo legítimo de outras artes e ciências. Ao contrário, o caminho é tornar a aquisição de todos os estudos posteriores mais simples e efetivo.

A filosofia é o amor da sabedoria na realidade natural, divina e moral
O nome filosofia será entendido aqui em seu sentido clássico, desde o século IV a.C. até o século XIII para descrever a unidade do conhecimento que cobre todos os assuntos. No sistema medieval a filosofia tinha 3 ramos: a filosofia natural, a filosofia moral, a filosofia divina (metafísica). A filosofia natural é a ciência natural. A filosofia moral é a moderna ciência social. E a metafísica, o estudo do ser, guarda os segredos da realidade e divulga sua unidade transcendental. Por estas razões os termos ciência natural e ciência moral frequentemente são usados como cognatos para a filosofia natural e moral.
As Ciências Naturais particulares como a mecânica, a biologia e a alquimia cairiam sob o guarda chuva da filosofia natural.
As ciências morais particulares como a ética, a política ou a economia estariam contidas na filosofia moral. O termo ciência significa um conhecimento demonstrável de causas. Para Aristóteles houve quatro causas que eram para ser estudadas em ciência: material, formal, eficiente e final. A ciência contemporânea tem desprezado as causas formais e finais, e reduzido tudo à causa eficiente e material.
Os antigos acreditavam que a arte imita a natureza e consequentemente os medievais frequentemente estudaram a filosofia natural como uma preparação para a filosofia moral. A metafísica ajudava a conectar a moralidade com o natural assim como o criado ao divino. O Cristo reconcilia o que vem separado. Estas três filosofias, natural, moral e divina, conteriam todos os assuntos e disciplinas da universidade contemporânea.

Piedade:
Piedade é uma palavra perdida em nosso vocabulário contemporânea. Ela não possui o mesmo apelo contemporâneo que “transparência”, “transformação radical”, “transformação social”. Mas talvez piedade seja a palavra que precisemos hoje. A piedade significa o dever, o amor, e o respeito devidos a Deus, aos pais, aos semelhantes, às autoridades comunitárias do passado e do presente.
No livro, “As ideias têm consequências” Richard Weaver afirma que a perda do elemento crítico em nossa cultura tem sido a doença mais fundamental de nossa sociedade contemporânea. Ele mostra o homem moderno como ímpio. A litania das revoluções mostram a evidência disso. Mostra também como a modernidade é sempre agitada, incapaz de serenidade.
A piedade era a virtude central da Roma de César Augusto. Tanto assim que Virgílio descrevia Enéias como pio. A modernidade se mostra como rejeição do passado, com o próximo e com a natureza.
O códice do Deuteronômio do antigo Israel exigiu respeito aos pais, à tradição e aos antigos. A piedade formou o fundamento crucial da antiga sociedade hebraica. A cultura clássica greco romana exigia respeito pelas autoridades e pelo divino. Sócrates é condenado à morte por ser acusado de impiedade. A piedade enforma o nosso ser e identifica quem somos.
A piedade era a virtude mais cultivada entre os romanos e os hebreus do que entre os gregos. E será uma virtude fundamental na tradição cristã. Cicero definiu a piedade como a virtude que “admoesta-nos a cumprir com nosso dever para com nosso país, nossos pais e os que estão ligados a nós pelos laços de sangue”. Nas Instituições, Calvino define a verdadeira piedade como “aquela referência que nos une a Deus e nos faz buscar um conhecimento que beneficie aos demais”. Thomas de Aquino escreve como a piedade dirige-nos ao mesmo tempo para Deus e os outros, “pela virtude da piedade o homem devota o dever e a veneração não apenas aos seus pais na carne, mas também a tudo o que se relaciona ao seu pai, e pelo dom da piedade ele devota dever e veneração não apenas a Deus, mas a todos os homens na sua relação com Deus”.
Piedade pode ser mais simplesmente estabelecida como o amor próprio e o temor a Deus e ao homem. Neste sentido, é pedida por Cristo como o mandamento máximo. A piedade é intimamente unida à palavra amor, ainda que ela inclua as noções de temor reverente, dever e ação. Gregório Thaumaturgus identifica a piedade como “a mãe de todas as virtudes”. Para Agostinho, a virtude é a ordo amoris. O amor de Deus deve sempre tomar precedência sobre outros amores.
Este ordenamento próprio não pode ser feito à parte da graça de Deus, devido ao pecado original. Talvez seja por isso que Aquino distinga o  dom da piedade da virtude da piedade. A graça de Deus oferecida em Cristo pode formar o fundamento suficiente para a verdadeira graça aos outros. O trabalho da escola depende da formação cristã recebida na igreja e na família, mas a escola deve desenvolver e apoiar este fundamento. Para os antigos, a ordem própria do amor era o edifício crucial de toda a educação moral e intelectual.
Enquanto a ordem própria do amor de Deus e as pessoas é a formação crucial e moral, a piedade é também um pré requisito essencial para o verdadeiro entendimento, uma lição ensinada por Cristo e reiterada pelos pais da Igreja. Agostinho aponta que a piedade é uma das seis etapas para a sabedoria. A cultura cristã e clássica reconhece que a virtude e a piedade desempenham um papel nesta perseguição da sabedoria.
Todas estas decisões estão enraizadas no comprometimento da piedade. Assim a piedade é um fundamento crítico para o empreendimento educacional. Enquanto a escola hoje é vista ou como um treinamento vocacional ou pior, uma oportunidade para os estudante “descobrirem a eles mesmos” por uma perspectiva a histórica, amoral. A educação no Ocidente desde os Antigos Gregos centrou-se na enculturação. Como uma geração pode passar sua cultura para a próxima geração? Sem o comprometimento com a tradição a educação pode desaparecer. Um projeto educacional que procure educar a partir da neutralidade de valores é insustentável, porque não desenvolve um senso de dever, de obrigação, de comprometimento.
Sem estudantes que internalizem um respeito e reverência ao Sumo Bem, sem heróis, que não admirem ninguém, dificilmente respeitarão os pais, professores e mais velhos. Aprender é estar aberto a submeter-se a algo. Uma criança em um estado de rebelião ativa ou passiva nunca será enculturada em um sentido consoante à tradição.

Ginástica e Música
A ginástica e a música devem iniciar os primeiros anos de estudo.
O treinamento deve ser cuidadoso e deve continuar ao longo da vida.
Os grandes professores do passado tinham diferentes concepções da natureza e do conteúdo do currículo escolar.
Este é especialmente o caso com respeito ao que chamamos de educação elementar. Na República vemos como estas duas disciplinas desempenham um importante papel nos primeiros anos formativos da educação.
A educação clássica procura preferencialmente construir sob uma educação moral e poética que mova para a análise ou para a crítica.
Ginástica é o condicionamento físico da criança. Culmina na corrida, natação, luta livre, etc, incluindo os rudimentos de controle sobre o corpo. A música é similarmente ampla e trata do que os antigos acreditaram ser inspirada pelas Musas. Este aspecto da educação inclui o que chamamos de música, mas também poesia, drama, artes e literatura. Na antiguidade clássica uma porção da educação das crianças consistia no treinamento físico, no canto, na memorização da poesia, no agir e imitar, no desenho, na escultura, no aprendizado de ditos de grandes homens do passado, na leitura de grandes obras da literatura, na experiência e observação do mundo natural. Isto deve nos fazer considerar a educação clássica.
Mas porque os antigos gastavam tanto tempo nestas duas áreas? A resposta, acreditamos, é simples e profunda nas implicações da educação cristã: o treinamento físico disciplinado da ginástica e o treinamento emocional da música são fundamentos para a aquisição de virtudes tanto morais quanto intelectuais. Estas duas disciplinas ajudam na educação da pessoa por inteira.
Ginástica: treinamento do corpo para o bem da alma
 Na escola atual a educação física não é vista do mesmo modo como era nas escolas clássicas cristãs. Nossa meta aqui é discutir a importância da educação física e da atlética para um currículo clássico cristão, reconhecendo-os como elementos centrais do paradigma de ensino que está sendo defendido neste ensaio.
A educação não é apenas uma questão intelectual porque o ser humano não é apenas mente. Um currículo pleno deve cultivar o bem da pessoa inteira, de corpo e alma. O treinamento pela ginástica é um elemento essencial do currículo. A falha em se reconhecer isto não é apenas uma falha educacional, é uma falha antropológica.
O que é a educação pela ginástica? A educação é o aperfeiçoamento de habilidades humanas.


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